Saco de ar.Me converti em um saco de ar.Melhor do que ser um saco de magoas.Dormir, me refestelar na lama junto com os porcos, essas são as minhas saídas.Eu lambo a lama como se fosse chocolate, e podridão na minha língua amarga vira remédio.Eu durmo um sono tumultuado, por que vão pra minha cama cem mil sonhos diferentes.Alguns gordos e pesados, alguns emprestados e outorgados, outros finos como fios de lã.Eu me derreto na cama, e digo que é de calor.Segredo de palhaço: não é.A vida me dilui.Vejo fantasmas zombeteiros, vejo primaveras fúteis – cujo cheiro de rosas me provoca náusea.Estou distante da terra e longe de mim.Sou um caldo derramando no chão.Sou desperdício de boa carne e potencia falida na masturbação da mente.Quero que o mundo cale, e com ele a voz no meu peito, e quero parar de sentir que o tempo escorre mais do que eu.A crueldade não termina nunca, e não há satisfação suficiente pra toda alma que busca.A roleta russa se faz dos sedentos e daqueles que nem precisariam apertar o gatilho.O que me dá socorro são meus labirintos, o que me dá socorro é a poesia.Me prendo na literatura como se ela fosse uma ancora e eu fosse barco.Quero romper com o peso dos meus sonhos, quero expulsá-los da minha cama e dormir uma noite inteira sem suspeitas: e quero mais do que tudo acordar.Acordar de manhã com o galo cantando cheio de convicção, e quero ser merecedor do loiro sol queimando a carne do mundo.Queria atravessar a rua sem medo, sem olhar pros lados, sem achar que sou seguido.Queria silencio e não esse zum-zum no meu ouvido.Queria quebrar a ampulheta e parar os ponteiros do relógio da vida com chicletes.Por tempo indefinido.Ou trocava tudo isso pela certeza de que você vem, com ou sem cavalo branco.Ou menos que isso: trocava pela certeza de que nada vai ser em vão ou por um pouquinho de paz sem tédio.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Acompanhe o plástico voando.
Saco de ar.Me converti em um saco de ar.Melhor do que ser um saco de magoas.Dormir, me refestelar na lama junto com os porcos, essas são as minhas saídas.Eu lambo a lama como se fosse chocolate, e podridão na minha língua amarga vira remédio.Eu durmo um sono tumultuado, por que vão pra minha cama cem mil sonhos diferentes.Alguns gordos e pesados, alguns emprestados e outorgados, outros finos como fios de lã.Eu me derreto na cama, e digo que é de calor.Segredo de palhaço: não é.A vida me dilui.Vejo fantasmas zombeteiros, vejo primaveras fúteis – cujo cheiro de rosas me provoca náusea.Estou distante da terra e longe de mim.Sou um caldo derramando no chão.Sou desperdício de boa carne e potencia falida na masturbação da mente.Quero que o mundo cale, e com ele a voz no meu peito, e quero parar de sentir que o tempo escorre mais do que eu.A crueldade não termina nunca, e não há satisfação suficiente pra toda alma que busca.A roleta russa se faz dos sedentos e daqueles que nem precisariam apertar o gatilho.O que me dá socorro são meus labirintos, o que me dá socorro é a poesia.Me prendo na literatura como se ela fosse uma ancora e eu fosse barco.Quero romper com o peso dos meus sonhos, quero expulsá-los da minha cama e dormir uma noite inteira sem suspeitas: e quero mais do que tudo acordar.Acordar de manhã com o galo cantando cheio de convicção, e quero ser merecedor do loiro sol queimando a carne do mundo.Queria atravessar a rua sem medo, sem olhar pros lados, sem achar que sou seguido.Queria silencio e não esse zum-zum no meu ouvido.Queria quebrar a ampulheta e parar os ponteiros do relógio da vida com chicletes.Por tempo indefinido.Ou trocava tudo isso pela certeza de que você vem, com ou sem cavalo branco.Ou menos que isso: trocava pela certeza de que nada vai ser em vão ou por um pouquinho de paz sem tédio.
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